O piloto da Honda venceu a etapa que ficou marcada pela morte do seu amigo Paulo Gonçalves.

A vitória nas motos, na sétima etapa do Dakar, foi atribuída a Kevin Benavides depois de ter sido retirado ao piloto da Honda o tempo em que esteve parado junto a Paulo Gonçalves a tentar prestar auxílio, tal como o australiano Toby Price (KTM), vencedor em 2019.

No entanto, apesar de vencer a etapa, não festejou a vitória, mas conta que: “Chorei em cada quilómetro até ao final da etapa”, através de um texto partilhado nas redes sociais.

“Vais acelerar no Céu”, escreveu Kevin Benavides, que não escondeu a tristeza que sentiu quando soube que aquele piloto em dificuldade era o português Paulo Gonçalves.

“Não tenho palavras para explicar a tristeza que sinto. Hoje, quando cheguei ao ponto do acidente, parei e fiquei ao lado de Toby. Os médicos já estavam a prestar assistência e pediram-me para eu me afastar. Eu nunca percebi que o piloto que estava no chão a cerca de 10 metros de mim eras tu. Pensei que era o teu companheiro de equipa. Cheguei ao ponto de reabastecimento e outros pilotos disseram-me que eras tu. Caí no chão e ainda havia 70 quilómetros para percorrer. Chorei em cada quilómetro até o fim da etapa”, revelou.

Benavides concluiu a mais longa etapa da prova, com 546 quilómetros de especial entre Riad e Wadi Al Daeasir, em 4:36.22 horas, menos 1.23 minutos do que o espanhol Joan Barreda (Honda), o segundo, e 4.17 minutos do austríaco Mathias Walkner (KTM).

“Dedico-te a vitória com muita dor. Ensinaste-me a sorrir para a vida. Sempre te admirei como piloto. Estou grato porque a vida te colocou no meu caminho e por ter sido capaz de partilhar tantos momentos incríveis e inesquecíveis”, acrescentou.

“Recordar-te-ei como uma grande pessoa, piloto e amigo. Terei um anjo que me guiará do alto da estrada. Adoro-te”, terminou .

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