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“Ouvi três mulheres comentarem a notícia do Ângelo Rodrigues” Carta aberta à gente que deveria ter juízo

A blogger Ana, que escreve frequentemente no seu blog “ounicornio”, presenciou recentemente uma situação que não pode deixar passar em vão.

Através de um post no facebook, escreveu o que ouviu falar acerca de Ângelo Rodrigues, e refletiu sobre o tema, num texto que ficou viral nas redes sociais, contanto já com mais de um milhar de partilhas.
Pode ler-se:

“Ouvi três mulheres (rodeadas da sua respectiva prole) comentarem a notícia do Ângelo Rodrigues relativamente ao seu preocupante estado de saúde.
Os comentários:

“Bem feito porque estava a pedi-las”.
“Queria ficar bonito para a Iva e pagou caro.”
“Se morrer é menos um com a mania de ter o corpo perfeito.”
Não sei o que faz o Ângelo Rodrigues, não conheço o seu trabalho, não faço a minha ideia de quem namora.

Em primeiro lugar, surpreende-me que em pleno século XXI em que se fala de feminismo, empoderamento, liberdade de escolha, igualdade, aceitação do corpo e afins, saia da boca de tanta gente que deveria ter juízo e bom senso, merda.

Em segundo, preocupam-me as crianças filhas desta gente que serão com toda a certeza adultos frustrados, cruéis, vis castradores e escusado será explicar a causa.

Infelizmente estas pessoas não são a excepção há regra. Infelizmente.
Vivemos rodeados de abutres que se alimentam da tragédia, que criticam, julgam os outros com a mesma facilidade com que vão à missa ao Domingo e se confessam.

O rapaz fez uma escolha que poderá custar-lhe a vida. Este rapaz terá pais que estarão a viver um suplício, suplício que não deverá ser vivido por nenhum pai: a perda de um filho.

A obsessão por um corpo perfeito é tão grave como o desleixo por um corpo, mas, raramente ouço dizer a alguém com obesidade mórbida:
“deverias morrer porque não queres saber de ti”.

Quando estamos perante um caso de obesidade sentimos peninha, quando estamos perante um corpo perfeito, a inveja escondida leva-nos ao caminho mais fácil e dissimulado: a crítica que destrói.

O miúdo quis injectar testosterona para ter músculos, injeção essa, fora de validade que poderá custar-lhe a vida. Será pedir muito que nos sintamos tristes por alguém tão jovem que pode ficar pelo caminho?

Estas pessoas que verbalizam porcaria, são as que publicam correntes de oração com a palavra “amém” para a salvação dos nenúfares do Ártico, as que enviam mensagens em massa de frases positivas sobre o “eu interior” e merdices avulsas.

Confesso que fiquei altamente perturbada pela forma descontraída e vulgar com que esta gente falou do miúdo. Há vinte anos, aproximava-me, dava-me os nervos, espetava o dedo e dizia o que me saísse. Hoje em dia não digo nada. Limito-me a ter pena de gente tão triste, tão pobre.




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