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«O Povo Português, hoje, demitiu-se de exigir.» A arrasadora carta de Manuel Damas

“Há realidades graves, gravíssimas, que esta greve tem vindo a pôr a nu..

Em primeiro lugar o enorme Poder que este Governo tem.

Mas, também, a ausência de limites, para um Governo que se diz de Esquerda e que a História recente tem demonstrado ser um paladino do Direito à Greve…mas só e apenas quando na Oposição e, acima de tudo, quando convém. Quando importa causar o caos.

E não é inocente, nem inócua, a cumplicidade activa evidenciada aos mais altos níveis do Estado.

Mas esta greve tem vindo a demonstrar, também, a cada vez maior e poderosa influência do “Ministério da Propaganda”.
Cujo tráfico de influências se estende, em teia, aos principais OCS. Ajudados pelo facto, claro, de a principal Imprensa escrita e falada estar nas mãos de familiares directos ou de amigos do Governo.

E não é dispiciendo que é o Governo que decide os apoios financeiros directos e indirectos aos Orgãos de Comunicação Social. Através dos contractos de Publicidade. Através da nomeação dos principais dirigentes e dos conselhos de administração. Pagos.

Através, também, da informação privilegiada. Hoje um orgão de comunicação social vende mais e melhor consoante a primazia no acesso à informação e consoante divulgação…

Mas esta greve revelou, também, que as Oposições não existem.
À Esquerda, por definição os defensores da Greve e dos seus direitos supostamente inalienáveis, pelo menos em teoria, mantém absoluto mutismo apenas pontualmente interrompido, com declarações de circunstância, absolutamente patéticas, apenas obrigadas, por existirem, ainda, alguns limites na decência, até à Esquerda, para a cumplicidade.

Mas é à Direita que a circunstância se revela absolutamente confrangedora.
Aos diversos níveis.
Por um lado a ausência de voz, de intervenção e de crítica dos partidos outrora maiores do lado direito do espectro político partidário.

Em que o silêncio absoluto, se torna inexplicável e humilhante. Tornando absolutamente compreensível e justificado que o Centro Direita, hoje, se encontre em crise de representatividade. Mas por culpa própria. Por omissão e por demissão. Por ausência de capacidade e de vontade de intervenção.

Mas é no sector dos novos/velhos partidos, menores, que se verifica a situação mais patética e humilhante. Porque, pelo menos em teoria, são “novos” partidos. Cuja realidade urge intervenção. Permanente e de qualidade. Consistente e motivadora. Assertiva. Mas aqui o desvario e o desnorte revelam-se vergonhosos. Com uma duplicidade de posturas erráticas. Se por um lado criticam, logo elogiam em total e absoluto contraditório. Errático.

E nem sequer colhe, hoje, o estafado argumento da vitimização da falta de espaço na Imprensa.
Basta verificar, nos ultimos 8 dias, por exemplo, os múltiplos momentos de intervenção que os mesmos têm tido…quer na SIC, quer no Expresso, quer no Sol, quer no I, quer no Jornal de Negócios, só para citar os casos mais recentes.
Até no Observador, para citar o exemplo ultimo, na ultima semana foram, pelo menos, 3 os momentos de espaço de intervenção. Em entrevistas e crónicas.

Pelo que deixa de poder ser usada a estratégia de vitimização/discriminação da putativa falta de espaço.
Porque inverdadeira.
A dramática realidade não é a falta de espaço…mas a falta de qualidade das intervenções.
E de consistência. A ausência de um fio condutor.

Por ultimo, mas não em ultimo, o dado mais preocupante desnudado por esta greve é a absoluta despreocupação que o Povo tem evidenciado.

Uma atitude absolutamente passiva, submissa, desinteressada e desinteressante. Totalmente inerte.
Inclusive à mais recente tentativa de “venezuelização” de Portugal. Ao serem colocadas as Forças Armadas a conduzir veículos de transporte de substâncias perigosas. E as ameaças múltiplas de prisão aos grevistas…

E, do Povo, inércia total.
Seria impossível, hoje, em Portugal, uma intervenção musculada de contestação por parte da população à imagem do que os coletes amarelos demonstraram em França ou do que ocorre em Hong Kong.

Em Portugal tal só seria possível se fosse uma das habituais manifestações organizadas, coordenadas e manipuladas pela Esquerda Radical.

Ou, então, no Futebol…

Porque o Povo anónimo, hoje, está desinteressado. Omisso. Passivo. Mas, acima de tudo, cúmplice.

Os 3 “Efes” do Estado Novo, Fado, Futebol e Fátima, foram reposicionados, substituidos e modernizados para Futebol, Música Pimba e Selfies a postar nas Redes Sociais.

O Povo Português, hoje, demitiu-se de exigir.

Tornou-se cobarde e cúmplice.

E vai demonstrá-lo nas próximas Eleições Legislativas. Infelizmente. “




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