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O pedido desesperante de dois idosos que não queriam perder os bens: “Ajudem-me a salvar a minha casa”

Joaquim e Maria Alzira, de 90 e 91 anos, não queriam a sua casa, situada na pequena aldeia do concelho de Mação.

Joaquim e Maria Alzira tentaram tudo para não deixar a sua casa. Ele com 90 anos, ela com 91, tinham esta segunda-feira espalhado mangueiras à volta, preparado o tanque, olhavam à janela à espera do aproximar do fogo, que chegou em minutos. Minutos. Às 17:00 parecia longe, num instante estava a menos de um quilómetro.

Em Casalinho, Mação, viveram-se momentos de terror. “Ajudem-me a salvar a minha casa”, pediu-nos o idoso, quando os jornalistas do Correio da Manhã eram os únicos forasteiros que ali estavam.

O fogo traiu-os, mas os bombeiros chegaram depressa. Várias corporações de Aveiro, acompanhadas pela GNR, cercaram a casa. António Joaquim não queria sair, a mulher recusava-se mesmo. A GNR teve de ligar à filha a pedir-lhe para convencer os pais. Não fazia sentido que fossem eles a proteger a casa. Não tinham sequer mobilidade para travar o fogo.

“Estejam descansados. Nós ficamos aqui e protegemos a habitação”, garantiu-lhes o coronel Paulo Silvério, comandante distrital da GNR de Santarém, e todos cumpriram a promessa. Bombeiros de Espinho, S. João da Madeira e da Murtosa mantiveram-se na localidade. Havia apenas três casas habitadas, os moradores já tinham saído, mas era preciso protegê-las.

“Moro aqui há 90 anos”, dizia-nos António Joaquim, que recordava um incêndio há mais de 20 anos. “Nem imagino voltar a viver isto de novo. Ver tudo destruído. Ficar sem nada”.

Ao lado, Maria do Rosário, mais de 80 anos, não aceitou sair. Estava com os filhos, que tinham já protegido a casa, limpado os terrenos. “Não saí porque estava com eles. Mas foi outra vez o medo. Lembrei-me de quando há 20 anos perdi tudo”, disse.

O vento, à noite, deu tréguas. Mas nada é garantido, como nos dizia uma jovem em Cardigos, onde a praia fluvial foi destruída. “A noite anterior foi um horror. Depois parecia que estava tudo controlado, mas, esta tarde, tudo se complicou”. Mais de mil operacionais continuavam no terreno a evitar reacendimentos.




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