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O emotivo desabafo de uma mãe que ia perdendo o seu filho atropelado enquanto andava de bicicleta

Ontem o meu filho ia de bicicleta quando foi atropelado.

As pessoas têm-me perguntado do que é que eu preciso, se preciso de alguma coisa. Tudo, mas tudo o que eu preciso, além de que ele recupere rápido e sem danos, é que todos nós, condutores, tenhamos maior consciência para os ciclistas que andam na estrada. Basta uma pequena distração nossa e vai-nos um espelho, uma porta riscada, um vidro partido.

Mas eles, eles vão ao chão. E uma vez no chão estão por conta do destino. Tanto podem sair ilesos, assim por um enorme milagre, como se podem partir todos ou serem atropelados por outro carro que esteja a passar e não tenha tempo de travar.

O meu filho, safou-se disto com um traumatismo craniano e o corpo todo pisado mas na semana passada um outro miúdo, filho de uma outra mãe que poderia ser eu, ou qualquer uma de vocês, não teve a mesma sorte.

Não preciso de dizer que ontem vivi um autêntico pesadelo, aquele que nenhuma mãe quer algum dia viver. Não preciso de dizer que tudo o que mais queria era que ele fosse outra vez pequenino para o poder ter debaixo de olho 24/7 e garantir que nada lhe iria acontecer.

Ter filhos crescidos é lindo e maravilhoso mas dói como o caraças. É a maior provação da vida de uma pessoa, não tenho a menor dúvida.

É fisicamente doloroso não lhes poder dar uma armadura indestrutível quando vão pedalar ou um colete salva-vidas quando decidem ir fazer praia para uma praia selvagem porque essa é que é “muita cool”. Ou um anjo da guarda infalível e da nossa total confiança que olhe por eles sempre que nós não estamos. Porque… eles cresceram, e nós não estamos tantas vezes!

Na falta disto, porque infelizmente não é possível, só nos resta sermos “anjos da guarda” dos filhos uns dos outros.

Termos uma (MUITO) maior consciência e, quando na estrada, olharmos para os ciclistas como se dos nossos filhos se tratassem. Porque, mesmo que não sejam os nossos, são os vossos, são os de alguém.

E já chega destes acidentes! Já chega de ignorar os ciclistas, de lhes passar tangentes ou fazer ultrapassagens estúpidas porque não queremos ir ali atrás deles a pastelar. Não são “ciclistas”! São pessoas. São filhos! E tantas vezes são pais! São pessoas a quem, se algo acontece, o mundo acaba ali. A felicidade acaba ali. A vida acaba ali.

A senhora que ontem bateu no meu filho foi – é!- uma querida e eu no meio disto tudo ainda lhe estou e estarei eternamente grata pelos cuidados e preocupação para com o Diogo. Encadeou-se com o sol e não o viu a circular na rotunda.

Mas… ele estava lá.

E hoje já poderia não estar cá.

Um desabafo de Ana Filipa Ribeiro




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