Viatura que André Machado conduzia

André Machado, deixou no passado dia 29 de Novembro uma publicação no Facebook onde falou da experiência vivida em primeira pessoa durante um acidente que poderia ter corrido muito mal.

A publicação conta já com mais de duas mil partilhas e centenas de comentários, vale a pena ler.

“Domingo passado, pelas duas da manhã, vivi o momento mais aterrorizante da minha vida.

É verdade, as fotos que podem ver, são do meu carro, sem qualquer possibilidade de arranjo, directamente para a sucata. Tudo se passou no IC19, direção lisboa/sintra na descida de rio de mouro, perdi totalmente o controlo do carro, onde fui bater violentamente na lateral de cimento, capotei mais de uma vez e acabei virado em contra mão.

Não, não ia devagar, ia em excesso de velocidade, é o que é. Quando capotava fiz uma força enorme nos braços sem largar o volante e fechei os olhos, rezando para que nada me acontecesse.

O tempo pára e naqueles segundos pensas em tudo, principalmente em quem mais amas. Quando dei por mim, o carro tinha parado e eu estava vivo por mais incrível que pareça.

O cheiro a queimado, a fumo, fizeram com que entrasse em pânico e eu só queria sair do carro. Os airbags dispararam todos sem excepção, não conseguia ver muito bem devido ao fumo e ao pó que os airbags largam, a porta não abria, mas depois de algumas cacetadas consegui abrir e saí do carro pelo meu próprio pé.

Reparei logo que não conseguia estar em pé porque tinha uma dor insuportável nas costelas e pescoço. Tive a sorte de aparecerem dois anjos (bombeiros de almoçageme) que nem de serviço estavam, vinham apenas no seu próprio carro atrás de mim, vieram a correr, ajudaram-me, ligaram aos bombeiros e aguardámos ali os três no chão enquanto chovia torrencialmente.

Fui transferido para o Amadora Sintra e na ambulância eu só chorava. Enquanto o bombeiro me tapava com prata para me aquecer dizia-me “André tem calma porque está tudo bem” e eu respondi “não estou a chorar de dor nem de tristeza, choro apenas porque estou a olhar para si, choro por gratidão, choro por estar vivo”.

Já no hospital, fiz vários exames e por incrível que pareça o “O André está inteiro, sem nenhum arranhão e sem nada partido”. Tive mais ou menos umas 3h no hospital, onde fiz medicação intra venosa e saí pelo meu próprio pé. Tenho de estar em repouso, porque as costelas estão “amassadas”, é como se tivessem entrado e saído, e as dores não são nada agradáveis. Médicos, bombeiros, enfermeiros, disseram-me que foi um milagre eu estar vivo.

Quando fui ver o carro pela primeira vez à zona das colisões da Mercedes o senhor mal acreditava que era eu que estava dentro daquele carro todo partido, ao qual me disse “você tem um bom lombo, que milagre”.

Ainda a processar tudo, não é fácil esquecer o momento do acidente, o barulho, as imagens, o facto de ter visto a morte ali mesmo não é algo fácil de lidar, o quanto a minha família sofreu…O tempo não vai fazer esquecer mas tem o dom de atenuar as coisas.

Inevitavelmente levas um abanão enorme da vida quando passas por uma situação destas e há muita coisa que começas a ver com outros olhos. A gratidão que sinto por estar aqui, apenas com uma dor nas costelas é enorme e todos os dias agradeço por estar cá. Não acontece só aos outros, por isso sejam responsáveis por favor, circulem dentro dos limites de velocidade, com chuva ainda pior, não arrisquem.

Não deixem nada por dizer, a vida é um sopro. A gente só leva daqui o amor que deu e recebeu, a alegria, o carinho… E mais nada. Ama hoje, perdoa hoje, beija hoje, abraça hoje, demonstra hoje, faz tudo hoje, não deixes para amanhã, porque num instante não somos nada. Aproveitem cada momento, porque a vida não tem replay.

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