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Juiz quer perdoar violador por pertencer a “boas famílias”

Abusaram, agrediram e filmaram uma jovem de 16 anos. No entanto, a preocupação do juiz é que a acusação possa destruir a vida do rapaz.

Aos 16 anos, Mary foi abusada numa festa. Deitaram-na num sofá numa cave às escuras, borrifaram-na com ambientador e agrediram-na. Pouco tempo depois, a jovem ficou sozinha com o colega da escola conhecido como G.M.C., também de 16 anos, que se filmou com o os abusos. O ato vangloriado pelo rapaz confirmou-se dias depois, ao enviar o registo aos amigos a dizer: “Quando a tua primeira vez é uma violação.”

Na manhã seguinte, Mary contou à mãe o que se lembrava e falou-lhe na possibilidade de assédio, já que tinha marcas no corpo e a roupa estava estragada. Nesse momento, o vídeo dos abusos já circulava pela escola. Ao saber da gravação, Mary confrontou G.M.C.. O rapaz negou tudo.

Nos meses que se seguiram a rapariga soube que G.M.C. continuava a partilhar o vídeo, embora garantisse a Mary que não o fazia. Foi a mãe que decidiu apresentar queixa às autoridades, em 2017.

Com base no testemunho de Mary, o ministério público norte-americano considerou que o comportamento do adolescente foi “calculado e cruel”. “Esta conduta devia ser punida num tribunal de adultos”, disse Christopher J. Gramiccioni.

O juiz James Troiano, de 70 anos, considera que para haver violação tem de existir coação por estranhos. Um “caso tradicional de violação”, segundo o juiz, envolve mais do que um homem e uma arma para encurralar. Na sua deliberação, o juiz questiona se a jovem estava mesmo inconsciente.

A fundamentação que ilibou o adolescente prosseguia com referências ao facto de este “ser de uma boa família”, “frequentar uma excelente escola”, ter “ótimas notas” e ser “escuteiro”. Acrescenta que os procuradores deviam ter aconselhado a adolescente e a família a abandonar as queixas que “podem destruir a vida do rapaz”, disse o juiz. E acrescentou: “Ele é claramente candidato não só à universidade, mas a uma boa universidade.”

O caso absurdo veio à tona nos Estados Unidos da América através do jornal The New York Times, após o juiz ter sido repreendido pelo tribunal de recurso.

Aos 70 anos, Troiano foi acusado de beneficiar adolescentes infratores provenientes de famílias privilegiadas. Há esperança no julgamento porque o mesmo tribunal abriu a possibilidade de o caso ser transferido da seção de família e menores, da qual o juiz James Troiano faz parte, para um grande júri, no qual G.M.C não teria outra opção se não ser julgado como adulto.

Mary não é o nome verdadeiro da vítima e as letras usadas para identificar o rapaz são as iniciais verdadeiras dos seus nomes. As identidades dos dois foram alteradas nos documentos públicos pelas autoridades norte-americanas a fim de proteger a privacidade dos mesmos.




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