Carta foi dirigida ao presidente da Assembleia da Republica

O jovem Gaspar Macedo deixou no seu perfil pessoal do Facebook uma carta dirigida ao presidente da Assembleia da Republica, que recentemente se envolveu numa polémica ao pedir que o deputado André Ventura usasse menos vezes a palavra “vergonha” na sua vez de falar.

“Carta aberta a uma vergonha.

Caro presidente da Assembleia da Republica, na último plenário apontou o dedo a André Ventura por abusar da palavra “vergonha”, algo que, para si, era ainda mais vergonhoso.

O Ferro Rodrigues que fala agora sobre vergonha, embora agora a segunda figura mais importante de Estado, foi implicado por uma das vítimas no processo Casa Pia, que envolveu pedofilia e favores sexuais. Foi mais do que um caso de polícia, colocando gravemente em causa Portugal.
O Ferro Rodrigues que exige a outros respeito democrático é o mesmo que disse convicto num telefonema com António Costa se estar “cagando para o segredo de justiça”.

Não pretendo defender André Ventura, mas não vou permitir que a sua hipocrisia perfaça a imagem que o senhor sempre teve. A imagem de alguém que, sem qualquer vergonha, nunca se importou de usar os cargos que ocupou para colocar a nação em causa.

Não me esqueço do Ferro Rodrigues que defendeu a reposição das subvenções vitalícias para ex-deputados e ex-governantes, que com apenas oito anos de serviço publico teriam direito a um cheque mensal até ao fim das suas vidas enquanto há portugueses que trabalham 30 e 40 anos para terem uma reforma miserável. Teve o desplante de afirmar que “os ordenados que os deputados recebem são maiores que os de muitos portugueses mas inferiores aos de deputados de outros países da Europa”.

O Ferro Rodrigues que evoca moralidades ilibou, em abril de 2018 os deputados ilhéus que cruzaram na comunicação uma campanha de desculpabilização por terem recebido em duplicado os apoios públicos para as viagens que faziam entre os arquipélagos e o continente. Embora não tenham “cometido nenhuma ilegalidade” não hesitou em perdoar a falta de ética que agora faz questão de defender, porque está habituado ao tempo em que cada um, deputados e partidos, viviam com éticas próprias e deixavam as consequências para os contribuintes.

O Ferro Rodrigues que criticou a justiça por investigar o caso Galpgate,onde três secretários de Estado aceitaram viagens pagas pela Galp para assistir a um jogo de Futebol, considerando a investigação absurda. Acabou na demissão dos três governantes que mais uma vez considerou não terem feito nada de errado. Nesse mesmo ano, a Galp teve um perdão fiscal acima dos 100 milhões de euros.

Faz alertas, quase como se tivesse autoridade para a repreensão, mas quando ainda era líder da bancada parlamentar do partido socialista, em 2014, não evitou a visita ao grande amigo e ex-primeiro ministro José Sócrates, no estabelecimento prisional de Évora.
Foi o deputado que em plena discussão sobre o Orçamento de Estado para 2015, fez questão de elogiar José Sócrates e salientou que este “resistiu até ao fim”. Chamou de “enganados” aqueles que “atrelaram o PS ao comboio da austeridade”, embora fosse o seu partido, nas mãos de José Sócrates através da assinatura do memorando de entendimento, que oficializou a rispidez dos anos que se seguiram.

Termino com a certeza de que Eduardo Ferro Rodrigues, atual presidente da Assembleia da Republica, é a desgraça anunciada que coloca a democracia em causa. Uma vergonha, entre outras tantas, que ainda pensa que pode apontar o dedo.

Tenho dito.”