“Já foste detida “mamã”. Pensei que fosses mais corajosa e que te entregasses de livre vontade” Carta à mãe do recém-nascido

Uma carta aberta à suposta “mãe” do bebé abandonado no caixote do lixo em Lisboa, está a tornar-se viral.

O texto foi partilhado através do facebook por Mário Gonçalves, comentador político e conhecido por já ter organizado várias acções de protesto em frente à Assembleia da República.

A carta, partilhada pelas 10h21, já conta com centenas de comentários e partilhas.

“Já foste detida “mamã”,

Pensei que fosses mais corajosa e que te entregasses de livre vontade, assumindo o teu erro para comigo. Infelizmente estava enganado, não deste tréguas, mas a justiça acabou por falar mais alto, a voz de Deus também.

Estes últimos dias têm sido de tremenda dor emocional para mim, embora tão pequeno, acredita que ainda assim, sinto falta do teu abraço e aconchego, aquele que não me conseguiste dar, nem que fosse por um minuto antes de me deitares ao lixo.

Eu sei “mamã”, não devia ser assim, mas infelizmente é, e por mais que digam que vou crescer e não me vou lembrar de nada, isso não é verdade. Serei sempre o rosto do bebé do lixo, cujo aquele foi abandonado pela sua progenitora num contentor sujo, molhado, ao frio.

Serei sempre amado por aqueles que me vão acolher, como um filho, não tenho a menor duvida disso, mas ao mesmo tempo, com o passar do tempo, vou querendo saber mais sobre ti, por mais que me escondam a verdade.

Provavelmente estarás cá fora “mamã”, não serás presa, e se ainda te resta alguma coisa de boa no teu coração, um dia, procura-me, e não me peças desculpa, porque nesse dia sou eu que te vou pedir desculpa a ti.

Desculpa por ter nascido, mesmo sabendo que não me querias. Desculpa por te amar ainda assim tanto mas tanto, sem que o mereças. Desculpa de não ter sido o teu maior tesouro, aquele que Deus te deu e que tu não soubeste aproveitar.

Adeus mãe, e eu sei que não mereces ser tratada como tal, mas ainda assim, o meu sangue será sempre sangue do teu sangue, e tu, serás sempre a minha…

Mamã!

Texto: Mário Gonçalves




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