“Ganhei mais forças para me levantar…” Conheça a história dramática do sem-abrigo que salvou o recém-nascido do lixo

O sem-abrigo que salvou o recém-nascido do caixote de reciclagens perto da discoteca Lux Frágil, foi ao ‘Manhã CM’, da CMTV, à conversa com Nuno Eiró e Maya, onde revelou a sua história de vida difícil.

Manuel Xavier vive como sem-abrigo há quatro meses, mas quer recomeçar a vida e sair das ruas de Lisboa.

Um problema de coluna deixou-o incapacitado para trabalhar no seu ramo, a construção civil.

“Estou na rua à cerca de 4 meses. Estava a trabalhar, mas de 15 em 15 dias ia parar ao hospital. A minha coluna já não aguentava mais…”

Manuel revela que vive com dores constantes e espera por uma cirurgia.

“Tenho 44 anos e sou um homem doente. Ao longo da minha vida sempre trabalhei na construção. Com 25 a 30 anos não pensamos, e esta doença já se arrasta há muitos anos…”

“O meu disco esquerdo está gasto e já não tenho platina, está a fazer força na anca e faz-me ciática”, revelou.

Começou desde cedo a trabalhar, para poder ajudar a família que não tinha muitas posses.

“Comecei a trabalhar muito cedo, aos 13 anos, porque na altura o meu pai tinha poucas posses. Ele trabalhou dia e noite para me sustentar a mim e à minha irmã. Perdemos uma irmã muito cedo e tudo mudou… Morava em Celorico da Beira e com a morte dela, eu desgovernei a minha vida…”, conta.

“Fiz muito mal ao meu pai e estou aqui para lhe pedir perdão”.

“Naquele tempo, fiquei traumatizado, eu magoei o meu pai, magoei muito. Fiz coisas que não deveria ter feito…”, lamenta em lágrimas.

“Vim para Lisboa com o meu primo, a pedido do meu pai, e comecei uma vida nova. Conheci a mãe do meu filho. Tenho um filho com 16 anos e gosto muito dele. É um filho que nunca vou esquecer e estou sempre em contacto com ele”, conta.

“Estive junto muito tempo (com a mãe do filho). Ao todo tive 17 anos. Uma vida. Comprámos casa em conjunto, mas a partir dai a minha vida começou a dar para o torto. Eu tive um problema com o álcool”.

“Quero agradecer à mãe do meu filho, que cuidou do meu filho, que se tornou um homem graças a ela. Obrigada Patrícia. Uma grande mulher…”, agradece.

Entretanto separou-se. Iniciou uma relação com outra mulher e vivia em Setúbal. Decidiu ir para a rua por não conseguir ajudar nas despesas, depois de ficar sem trabalhar.

Não podia trabalhar, não tinha como participar nas despesas. A casa não era minha”, diz.

Manuel espera no futuro sair da rua, e não seguir o exemplo de colegas que vivem acomodados nesta situação. Para ele, a noite “é horrível”.

“O que se passou nestes últimos três dias foi uma mais uma força para eu me conseguir levantar. Porque eu vou conseguir. Tenho forças para isso. Quero provar ao meu filho que consigo”.

Manuel revelou que gostava de ajudar numa instituição e fazer voluntariado, nomeadamente, ajudar crianças.




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