Valentina Fonseca.

Uma carta deixada ao pai da pequena Valentina Fonseca, escrita por Mário Gonçalves, tornou-se viral nas redes sociais, depois de ter sido noticiado que o Sandro Bernardo, pai da criança, confessou às autoridades ter tirado a vida à filha.

“Pai,
Mataste-me. A minha vida foi tão curta nesta terra, teve um fim tão trágico às mãos da pessoa que eu mais amava neste mundo.

Porquê Pai? Que mal te fiz eu para ser assassinada com apenas 9 anos nas tuas mãos? As mesmas mãos que me acariciavam a face ao dormir e que me transmitiam aquela segurança de um Pai protetor.

Porquê Pai? Que mal podia eu ter feito para que tu deixasses de me amar de um momento para o outro e acabasses com a minha própria vida, vida essa que ainda tinha tanto para viver Pai.

Porquê Pai? Onde está aquele abraço forte e cheio de amor que me deste assim que eu nasci?

Não consigo entender e não vou conseguir fazer-te estas perguntas nunca mais. Morri Pai. Fui assassinada pela pessoa que eu mais amava neste mundo. Um ser indefeso sem saber o que era a vida mas apenas com uma certeza, que tinha o melhor Pai do mundo ao meu lado, o meu herói que jamais iria deixar que algo de mal me acontecesse.

Talvez um dia fales comigo. Talvez um dia eu te possa perdoar. Talvez um dia eu possa entender. Talvez um dia Pai. Talvez.

Desculpa se fui má filha Pai. Desculpa se te magoei. Desculpa se não era a tua filha preferida. Desculpa se fiz alguma coisa de mal. Desculpa Pai. Desculpa mas eu era apenas uma criança com 9 anos e há coisas que nós crianças fazemos que ainda não entendemos, se foi esse o caso desculpa Pai.

Ainda assim, eu não te deixei de amar. O meu amor por ti será eterno, tão eterno como a minha alma agora. O meu amor terás sempre Pai. O meu perdão será mais difícil, esse só no dia em que nós dois nos encontremos deste lado e me expliques o porquê Pai.

Estarei deste lado, magoada e triste, mas com o mesmo amor de sempre por ti. Embora saiba que afinal talvez nunca me tenhas amado.

Agora tenho de ir Pai. Estarei deste lado mas também desse, ao lado das pessoas que realmente me amavam nessa vida.

Tenho tanto medo Pai. Não sei onde estou. Não sei para onde vou e apenas queria ter as tuas mãos e as mãos da mãe a aconchegar-me na minha cama. Agora apenas me irão visitar ao cemitério e beijar a minha foto, mas podias ter evitado isso Pai. Tenho medo.

Estarei sempre ao lado de todos os que me amaram nesta vida. Agora tenho de ir. Já não pertenço aqui. Tiraste-me a vida Pai.

Não te chamo monstro, mas Pai, porque (in)felizmente foste meu Pai e comigo ficarão apenas guardados os bons momentos que passámos ao longo destes 9 anos, 9 anos de vida e agora uma vida…

Uma vida de eternidade para entender o porquê Pai!

Adeus. Adeus Pai. Um beijinho da tua Valentina.
Descansa em Paz anjinho!”

Um texto de Mário Gonçalves

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