Uma carta de despedida da pequena Valentina, brutalmente assassinada pelo pai, ficou viral nas redes sociais no dia em que se realizou o enterro da criança.

“Valentina esteve 13h em sofrimento antes de morrer. Foi espancada violentamente pelo próprio progenitor na casa de banho. Enrolada numa manta em sofrimento, após ter sido espancada, deitaram-na no sofá.

O monstro, que se assinava “pai”, saiu de casa e foi buscar o jantar impávido e sereno da vida, como se nada tivesse acontecido. Saiu de casa para não ter que ver com os seus próprios olhos o que acabara de fazer à sua própria filha.

Valentina ali ficou, a sofrer e a chorar em silêncio, cheia de dores e hematomas por todo o corpo, na companhia dos irmãos e da madrasta, dentro da casa dos horrores, até que as lágrimas acabaram por secar.

A última vez que Valentina viu o seu “pai” foi de punhos cerrados a agredi-la barbaramente. Já não era o “pai” que outrora a abraçava. Não entendia. Suplicara que parasse. Mas o ódio e a raiva deste monstro era tão grande que não conseguiu parar.

Valentina ainda aguentou 13h, talvez na esperança que agora os serviços competentes pudessem ajudá-la. Mas Deus não permitiu mais. Valentina chorou, suspirou e partiu. Já cá não está.

Um menina inocente, brutalmente espancada na casa de banho, às mãos de um homem frio e cruel. Um homem cujo o seu destino estará traçado certamente.

Nunca é demais falar da Valentina e recordar este triste episódio. Recordar a Valentina é recordar milhares de crianças que já partiram nas mesmas circunstâncias.

Que este triste episódio seja acima de tudo recordado pelos serviços competentes e que possam agir de uma vez por todas.

Quantas Valentinas há neste momento a passar maus tratos nas suas casas às mãos dos seus progenitores?

Quantas Valentinas terão que morrer ainda às mãos destas bestas sem coração, sem alma?

Eu tento não falar mais sobre este assunto, mas por dentro cresce-me uma raiva tão grande contra este sistema que nada tem feito para olhar para estas crianças que não consigo, não consigo não falar.

Como também não consigo imaginar o sofrimento e o desespero desta menina, 9 anos, cheia de vida. 13h em sofrimento, ali, desamparada, esquecida num sofá, enrolada numa manta a sofrer em silêncio, até ao último suspiro.

Hoje pelas 17h será o seu enterro. Não verá mais a luz do dia nesta terra. Dói muito. Por ela e por milhares de Valentinas neste País abandonadas à sua sorte.

Adeus Valentina. Não serás esquecida.”

Mário Gonçalves

DEIXE A SUA OPINIÃO